FUNDAÇÃO JOÃO BENTO RAIMUNDO

História e Patrono

35 ANOS AO SERVIÇO DO BEM COMUM

A Fundação João Bento Raimundo é uma instituição de solidariedade social que tem o principal campo de ação no concelho da Guarda, mas acolhe utentes de todo o país, fruto de um crescente prestígio e de uma reputação consolidada, enquanto prestadora de respostas sociais.

Tem sede junto ao ponto mais alto da cidade da Guarda, rodeada de árvores centenárias da mata do antigo Sanatório Sousa Martins, hoje Parque da Saúde. Beneficia do ar puro, internacionalmente certificado, que no final do século XIX esteve na origem da escolha científica para a localização daquela que seria uma unidade de referência no tratamento de doenças respiratórias.

Os edifícios da Fundação João Bento Raimundo formam um moderno e funcional conjunto, com amplo espaço livre e zonas verdes envolventes. Acolhem centenas de crianças, pessoas deficientes (cidadãos com necessidades diferentes e que aqui são ajudados a descobrir e a aperfeiçoar as suas capacidades) e idosos.

Tudo começou há 35 anos. A 13 de fevereiro de 1986 era constituída a Associação de Beneficência Augusto Gil. Conforme os estatutos publicados, a 7 de julho do mesmo ano, em Diário da República, esta Instituição Particular de Solidariedade Social teria como principal objetivo a promoção social, cultural e recreativa da população da Guarda. Os associados elegeram João Bento Raimundo como presidente, por absoluto consenso, querendo assim aportar ao novo projeto a experiência, a visão estratégica, o espírito empreendedor e o prestígio do fundador.

A atividade da Associação teve início em janeiro de 1987, focada no apoio a franjas vulneráveis ou desfavorecidas. Em colaboração com o Serviço de Pediatria do então Hospital Distrital da Guarda e com a Equipa de Ensino Especial Integrado, foi instituída a Consulta de Desenvolvimento, através da qual ser assegurou acompanhamento médico, psicológico e social a crianças com especiais carências, referenciadas em todo o distrito da Guarda, permitindo diagnosticar necessidades, assegurar o acompanhamento dentro e fora da esfera familiar ou efetuar o encaminhamento para outras instituições de apoio social. 

Tratou-se, à época, de uma resposta pioneira na recuperação de crianças com necessidades especiais, valorizando as suas potencialidades, apoiando as famílias e integrando-as na sociedade.

No mesmo ano de 1987, em outubro, a instituição voltaria a destacar-se pela inovação, ao criar uma creche familiar, em parceria com o Centro Distrital de Segurança Social. A Associação de Beneficência Augusto Gil oferecia um modelo novo de conciliação entre a vida familiar e pessoal e de partilha de cuidados e responsabilidades em todo o processo educativo, num plano individual, de acordo com as necessidades de cada criança. A missão era assegurada por uma rede de cerca de 20 amas, distribuídas em várias zonas geográficas, que prestavam apoio a 80 crianças.

A partir deste bem-sucedido programa evoluiu-se, em 1989, para a abertura de uma creche própria com capacidade para 20 crianças, com idades entre os três meses e os três anos.

O início da década de 90 marcou um enorme impulso na vida da instituição, com a construção de instalações de raiz, projetadas para cada resposta social, em terreno inserido na parte mais alta do Parque da Saúde da Guarda, na avenida Alexandre Herculano.

Não sendo necessária para fins hospitalares, a pequena parcela da antiga Mata do Sanatório Sousa Martins foi cedida pelo Ministério da Saúde, tendo à época Leonor Beleza como ministra, atentos os fins sociais e assistenciais propostos.

Foi assim que, no ano de 1991, começou por funcionar um moderno Jardim de Infância, que rapidamente granjeou reputação, não só pela qualidade da resposta (assegurada por profissionais do desenvolvimento infantil, com formação em educação da infância), mas também pelo conforto, pela funcionalidade e pela segurança das instalações.

Mas a realidade demográfica da região impunha já um outro nível de resposta a uma população envelhecida e carente de estruturas de apoio. Surgiu, assim, o primeiro Centro de Dia, com capacidade para 30 utentes. Idosos que permaneciam no seu meio natural, mas recebiam um acompanhamento permanente, em inovadoras práticas de fomento do envelhecimento ativo.

A Associação de Beneficência Augusto Gil não perdia de vista, porém, a missão inicial de apoio a pessoas portadoras de deficiência. Na viragem do século entrou em funcionamento o Centro de Atividades Ocupacionais, progredindo na assistência e inclusão de jovens e adultos através de cuidados especializados. Mais tarde, o Lar Residencial passaria a assegurar essa resposta, em regime de permanência, a cinco dezenas de beneficiários.

O crescimento progressivo do número de utentes, a evolução constante ao nível dos serviços prestados e o enraizamento consolidado junto da comunidade, não só na Guarda como na região, fazem com que esta seja uma Casa sempre em obras. A primeira grande ampliação decorreu no ano de 2005, acrescentando cerca de dois metros quadrados de área coberta, com novos ou requalificados espaços para creches, ATL e centro de dia, mas também serviços centrais, zonas de multiuso e estacionamento subterrâneo.

As novas instalações permitiram avançar para novos modelos de apoio pedagógico, com a abertura do Centro de Estudos Integrados, onde é dado enfoque ao desenvolvimento das capacidades dos alunos, complementando as ações desenvolvidas no meio escolar e valorizando as componentes lúdica e de desenvolvimento vocacional.

No ano de 2006 abria portas a Escola Profissional da Guarda, cobrindo uma lacuna que fazia da cidade a única capital do distrito a não oferecer ensino profissional, numa altura em que o sistema educativo e o mercado de trabalho se debatiam com a necessidade de resposta ao nível da qualificação não superior.

Foi de Associação de Beneficência Augusto Gil a posicionar-se na linha da frente, pertencendo-lhe a quase totalidade da participação na entidade – a Ensiguarda – que tornou possível, após o devido reconhecimento pelo Ministério da Educação, a existência deste tipo de ensino na Guarda, que rapidamente ganhou procura e prestígio a nível local, regional e nacional, destacando-se na formação de quadros técnicos intermédios com elevada taxa de empregabilidade.

Em 2008 a Associação instituiu-se e foi reconhecida como Fundação, mantendo no essencial a missão: a solidariedade social. Uma década depois, por decisão consensual dos curadores, passou a designar-se Fundação João Bento Raimundo, como reconhecimento da ação e do mérito do seu fundador, primeiro presidente e maior benemérito.

A capacidade empreendedora prosseguiu com um grande investimento na construção de uma Residência Sénior, um conceito que veio contrariar a conotação negativa associação à institucionalização de idosos e rapidamente superou as melhores expectativas em termos de procura. Tanto o modelo inovador como as instalações modernas mereceriam rasgados elogios do então Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José Vieira da Silva, que presidiu à inauguração.

A melhoria do espaço físico nas diversas valências da Fundação tem sido uma constante. Qualquer registo de imagem das diversas instalações torna-se, rapidamente, desatualizado face à dinâmica de crescimento ou requalificação.

Em 2014 foi adquirido o edifício, na Rua Comandante Salvador do Nascimento, onde passou a funcionar a Escola Profissional da Guarda, cuja atividade já ditou várias ampliações, designadamente para a construção de um bar, de uma cantina e de uma sala de conferências com capacidade para mais de 400 pessoas. As oficinas e os laboratórios funcionam num imóvel próximo, entretanto também acrescentado ao património da Fundação.

Em 2017 foi lançada uma nova obra, num terreno próximo das instalações centrais na Avenida Alexandre Herculano, que respondeu à necessidade de alojamento dos estudantes da Escola Profissional, provenientes de praticamente de todos os concelhos do distrito da Guarda e ainda dos distritos limítrofes de Bragança, Viseu e Castelo Branco.

Três anos depois a Residência de Estudantes já beneficiava de uma ampliação, para responder à crescente procura. Entretanto, a Fundação adquiriu parte de umas antigas instalações industriais, na Rua da Malmedra, para onde projeta um segundo polo residencial para alunos.

Em 2018 foi adicionado um bloco ao edifício central na Avenida Alexandre Herculano, disponibilizando novos espaços para creche,pré-escolar, cozinhas e cantina.

A Cantina Social passou a ter uma área de atendimento, distribuindo refeições a cidadãos vulneráveis. Ao mesmo tempo, a Loja Social, que em 2015 passou a funcionar no Parque da Saúde (numa parceria com a Unidade Local de Saúde da Guarda), mantém a dinâmica de acompanhamento no colmatar de carências e fragilidades de famílias necessitadas.

Um segundo lar residencial para pessoas com deficiência encontra-se em fase final de projeto.

A completar 35 anos, a Fundação João Bento Raimundo é hoje a maior Instituição Particular de Solidariedade Social das Guarda e uma das maiores da região. Com um quadro de cerca de 140 colaboradores, serve quase mil utentes, entre utilizadores das diversas respostas sociais e alunos da Escola Profissional.

Da infância à terceira idade, constroem-se laços que valorizam os saberes de gerações e preparam os jovens para o futuro.

O PATRONO: PROFESSOR JOÃO BENTO RAIMUNDO

João Bento Raimundo é professor coordenador com agregação, jubilado, do ensino superior. Com formação nas áreas da economia e da gestão, foi um bem-sucedido empresário na Guarda, cidade onde iniciou também a docência no ensino secundário.

Enquanto estudante no prestigiado Liceu da Guarda, na década de 60, interessou-se pela atividade política e, em especial, pela ideia de social-democracia que Francisco Sá Carneiro e outras destacadas figuras da chamada Ala Liberal defendiam na fase derradeira do Estado Novo e acabariam por materializar, poucos dias após o 25 de abril de 1974, na criação do Partido Popular Democrático (PPD), depois Partido Social Democrata (PSD).

João Bento Raimundo foi um dos fundadores do partido no distrito da Guarda. Aderiu também ao movimento sindical de professores e foi impulsionador, sócio número 1 e presidente do Sindicato de Professores da Zona Centro. Esteve também na origem da Federação Nacional dos Sindicados da Educação (FNE).

Presidiu às assembleias gerais da Federação Nacional da Educação (FNE) e dos Trabalhadores Sociais Democratas (TSD). Foi ainda membro eleito do secretariado nacional da União Geral de Trabalhadores (UGT).

Em julho de 1985 foi convidado, na vigência do IX Governo Constitucional (sendo Mário Soares primeiro-ministro), para presidir à Comissão Instaladora do Instituto Politécnico da Guarda. Tomou posse a 8 de agosto e imprimiu uma dinâmica a que a cidade não estava habituada: um ano depois iniciavam-se, ainda em edifício provisório, as atividades letivas da Escola Superior de Educação e, no ano seguinte, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão começava a funcionar nas instalações da antiga Escola do Magistério Primário da Guarda (que seriam mais tarde reconvertidas em residências de estudantes), enquanto decorria já a construção do campus da Quinta do Zambito.

Visionário e com espírito de iniciativa, João Bento Raimundo foi, assim, responsável pelo mais marcante investimento das últimas décadas do século XX na Guarda. Quis que o IPG se afirmasse como «o melhor dos politécnicos», com corpo docente próprio e estabilizado, com cursos aos quais o mercado de trabalho concedesse idoneidade e com estudantes que se identificassem com a instituição de ensino superior e fossem os seus primeiros embaixadores.

Em 1994 o Instituto Politécnico da Guarda tinha cerca de 3.500 alunos, o número mais elevado entre os congéneres não localizados nos grandes centros. Só era ultrapassado pelos politécnicos de Lisboa, Porto e Coimbra, este último com apenas mais 45 alunos que o da Guarda.

O impacto económico na cidade (em aquisição de bens e serviços por toda a comunidade académica) era estimado em 30 milhões de euros anuais. E preparava-se para ser o primeiro estabelecimento de ensino superior politécnico a ver aprovados os estatutos, que lhe conferiam autonomia enquanto pessoa coletiva de direito público.

O mandato de 9 anos (que nem sequer seria o mais longo da história da instituição, mas hoje está demonstrado que foi, de longe, o mais produtivo e o que correspondeu à melhor época do IPG), a que se seguiriam as primeiras eleições para a presidência do Instituto, seria abruptamente interrompido por um rocambolesco processo judicial contra João Bento Raimundo (que esteve vários meses sem conhecer acusação), do qual acabaria totalmente absolvido, em julgamento.

Sem nada a dever ou a temer, o antigo presidente voltou ao seu posto de professor coordenador com agregação e terminou a carreira de docência na Escola Superior de Tecnologia e Gestão. E permaneceu na Guarda, apesar dos inúmeros desafios, tanto para a atividade empresarial como para a gestão pública, que lhe foram lançados noutras zonas do país.

Crente na educação como primordial fator de sucesso, iniciou um novo projeto tendente a suprir uma carência na Guarda: era a única capital de distrito que não dispunha de uma escola profissional. Em 2006 a Ensiguarda recebia os primeiros alunos. E rapidamente conquistaria um lugar de relevo no panorama nacional.

Esta instituição de ensino profissional também está vocacionada para a formação de estudantes que queiram seguir o ensino superior e alcançou, nos últimos anos, o topo dos rankings, sendo a escola do género com melhores resultados no acesso às universidades e politécnicos.

Com 450 alunos provenientes de mais de duas dezenas de concelhos, a Escola Profissional da Guarda tem hoje um impacto na economia local superior a dois milhões de euros anuais. Este é, assim, o mais relevante e promissor empreendimento, na área socioeducativa, realizado na Guarda no século XXI.

Por detrás da ideia, e à frente do projeto, está o talento e o arrojo de João Bento Raimundo, fundador, patrono e principal mecenas da Fundação que leva o seu nome, à qual tem doado grande parte do seu património.